A notação BPMN 2.0 não tem espaço para estilo pessoal. Diferente de um fluxograma livre, cada categoria de elemento — eventos, atividades, gateways, objetos de conexão e raias — tem forma e significado definidos em especificação formal. Isso é o que permite que dois diagramas desenhados por pessoas diferentes, em empresas diferentes, sejam lidos exatamente da mesma forma.
Se você já entende o conceito geral e só precisa confirmar o que um símbolo específico significa, este artigo funciona como referência rápida. Para o panorama completo de o que é a notação e por que ela existe, vale a leitura de O que é BPMN 2.0? Guia completo para quem está começando antes ou depois deste glossário.
Eventos
Eventos representam algo que acontece durante o processo — não uma ação executada, mas um ponto no tempo. Todos os eventos são desenhados como círculos; a diferença está na espessura da borda.
- Evento de início — círculo de borda fina. Marca o gatilho que dispara o processo: a chegada de um pedido, uma data, uma solicitação recebida. Todo processo BPMN precisa de pelo menos um.
- Evento intermediário — círculo de borda dupla (duas linhas finas). Marca algo que ocorre no meio do fluxo sem encerrar nem iniciar o processo, como o recebimento de uma mensagem ou a espera de um prazo.
- Evento de fim — círculo de borda grossa e única. Marca o encerramento de um caminho do processo. Um processo pode ter mais de um evento de fim, representando desfechos diferentes (aprovado, reprovado, cancelado).
Eventos intermediários e de fim ainda variam por tipo, indicado por um ícone dentro do círculo. Os mais comuns no dia a dia são o evento de temporizador (ícone de relógio, usado para prazos e esperas programadas) e o evento de mensagem (ícone de envelope, usado quando o processo depende de uma comunicação externa, como um e-mail ou uma resposta de outro sistema). Cada tipo muda o que dispara aquele ponto do fluxo — um detalhe que parece pequeno, mas que define se o processo está, de fato, modelado corretamente.
Atividades (tarefas)
Atividades representam o trabalho em si — o que é efetivamente executado por uma pessoa, um sistema ou ambos. Visualmente, são sempre retângulos de cantos arredondados, o que as distingue de qualquer outro elemento da notação.
- Tarefa — o elemento de trabalho atômico, que não é decomposto em outros passos dentro do próprio diagrama. É aqui que entram os dados quantitativos: tempo de execução, custo, responsável.
- Subprocesso — visualmente igual à tarefa, mas com um pequeno sinal de "+" no rodapé do retângulo. Indica que aquele bloco esconde um conjunto de passos detalhados em um nível inferior do diagrama, mantendo a visão principal limpa sem perder o detalhe — basta expandir o subprocesso para ver o fluxo interno.
Existem ainda subtipos de tarefa marcados por um pequeno ícone no canto superior esquerdo do retângulo — tarefa de usuário (ícone de pessoa), tarefa de serviço (ícone de engrenagem), tarefa de script, entre outros. Eles indicam quem ou o que executa aquele trabalho, mas a leitura central é sempre a mesma: é ali que o processo produz algo.
Gateways (decisões)
Gateways são os pontos onde o fluxo se divide ou se reconverge. Todos são desenhados como losangos; o que muda é o ícone dentro do losango — e essa diferença é o ponto mais confundido por quem está começando a ler diagramas BPMN, porque mudar o tipo de gateway muda completamente o comportamento do processo.
- Gateway exclusivo (XOR) — losango com um "X" dentro (ou vazio, sem marcação). Apenas um caminho de saída é seguido, escolhido por uma condição. É o "se isto, então aquilo; senão, aquilo outro" — pedido aprovado segue para um lado, pedido reprovado segue para outro, nunca os dois ao mesmo tempo.
- Gateway paralelo (AND) — losango com um "+" dentro. Todos os caminhos de saída são seguidos ao mesmo tempo, sem condição nenhuma. Usado quando duas ou mais atividades acontecem em paralelo, como notificar o financeiro e notificar o estoque simultaneamente após a confirmação de um pedido.
- Gateway inclusivo (OR) — losango com um círculo (letra "O") dentro. Um ou mais caminhos são seguidos, dependendo de quais condições forem verdadeiras. É a opção mais flexível e também a mais arriscada de modelar mal, porque exige deixar claro quais combinações de caminho são válidas.
A regra prática para não confundir os três: exclusivo escolhe um caminho, paralelo segue todos os caminhos, inclusivo segue os caminhos cuja condição for verdadeira — podendo ser um, vários ou todos. Um gateway de convergência (juntando fluxos depois de uma divisão) precisa ser do mesmo tipo do gateway de divisão correspondente, senão o diagrama fica ambíguo sobre quando o processo deve continuar.
Objetos de conexão
Objetos de conexão definem como os elementos se relacionam entre si. A diferença entre os tipos de linha não é estética — cada uma representa uma relação distinta.
- Fluxo de sequência — linha cheia com seta preenchida. Indica a ordem de execução dentro do mesmo pool: o que acontece depois do quê.
- Fluxo de mensagem — linha tracejada com seta vazada. Indica troca de informação entre pools diferentes — por exemplo, entre o processo da sua empresa e o de um fornecedor. Nunca conecta elementos dentro do mesmo pool.
- Associação — linha pontilhada sem seta de fluxo (ou com seta fina). Usada para ligar elementos de texto, dados ou anotações a uma atividade, sem implicar ordem de execução.
Confundir fluxo de sequência com fluxo de mensagem é um erro comum: se a linha cruza a fronteira de um pool, ela não pode ser fluxo de sequência — precisa ser fluxo de mensagem.
Raias (pools e lanes)
Raias organizam o diagrama por responsabilidade, respondendo à pergunta "quem faz o quê".
- Pool — um grande retângulo que representa um participante independente do processo: uma empresa, um departamento externo, um sistema autônomo. Tudo que acontece dentro de um pool é controlado por aquele participante; a comunicação com outro pool só acontece via fluxo de mensagem.
- Lane — uma subdivisão horizontal (ou vertical) dentro de um pool, representando um papel ou setor específico daquele participante, como "Vendas", "Financeiro" ou "Aprovador". As lanes compartilham o mesmo fluxo de sequência — a diferença entre elas é apenas quem executa cada parte.
Um erro frequente é criar uma lane para cada pessoa em vez de cada papel, o que infla o diagrama sem agregar informação real. A pergunta certa para definir uma lane não é "quem fez isso da última vez", mas "qual papel é responsável por esse tipo de tarefa".
Por que isso importa na prática
Usar o símbolo certo não é purismo de notação — é o que torna o processo analisável depois. Um gateway exclusivo marcado corretamente é o que permite calcular as duas (ou mais) rotas possíveis de tempo e custo de um processo. Uma tarefa bem delimitada é o que recebe dado de duração e custo sem ambiguidade. Uma lane que reflete responsabilidade real é o que permite identificar em qual papel está concentrado o gargalo. Em outras palavras: a simbologia correta é a pré-condição para qualquer análise quantitativa depois — sem ela, o diagrama é só um desenho bonito. Se o próximo passo é colocar esses elementos em um diagrama real, o guia prático é Como mapear processos com BPMN.
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